Segundo ele, os ministérios do Meio Ambiente, das Cidades e do Planejamento estão elaborando um decreto para regulamentar a Lei de Licitações (8.666/93) e permitir que o setor público federal priorize a aquisição de produtos e serviços considerados "verdes", como papel reciclado, lâmpadas econômicas e madeira de origem legal comprovada. "A partir desse decreto, vai se facilitar muito esse processo e se criar a possibilidade de colocar nos editais a compra de madeira legal", afirmou, ressaltando ainda que haverá economia de água e de energia com as medidas.
Incentivo do setor público
A iniciativa é bem-vinda, na avaliação do coordenador da Campanha de Madeira e Desmatamento da Amazônia do Greenpeace Brasil, Marcelo Marquesini.
Para ele, o setor público, como um dos maiores consumidores e contratantes de obras no País, pode incentivar a adoção de critérios sustentáveis por outros segmentos sociais.
Marquesini declarou que em alguns casos, como o de compra de madeira, o estímulo é fundamental. Ele destacou que hoje mais de 60% da madeira produzida no País têm origem ilegal. Desse total, segundo Marquesini, 64% são consumidos dentro do Brasil, sendo que 1/3 pelo setor público. "O setor público não pode financiar o desmatamento na Amazônia. Quando você compra
madeira de desmatamento, você financia quem fez aquele desmatamento. E isso tem que parar. Existe madeira de manejo florestal e de reflorestamento no mercado suficiente para abastecer o setor público", disse.
A advogada e pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Rachel Biderman Furriela também ressaltou o papel do Estado como incentivador de produtos sustentáveis. Ao falar sobre as iniciativas de adoção de critérios ambientais em compras públicas, ela citou dados que mostram que em países em desenvolvimento 30% do PIB são gerados por compras públicas, enquanto em países desenvolvidos esse número é de 10%.
Estados e municípios
Apesar de elogiar a disposição do governo federal de adotar as chamadas licitações verdes, Marquesini avalia que a medida teria um efeito limitado. Para o representante do Greenpeace, seria importante uma modificação na atual legislação para que entes públicos estaduais e municipais também fossem obrigados a incluir exigências ambientais nas compras públicas.
Ele informou que hoje só cerca de 30 cidades, além do governo do estado de São Paulo, assumiram o compromisso com o Greenpeace de participar da campanha Cidades Amigas da Amazônia e só comprar madeiras de origem legal.
O Ministério do Meio Ambiente entende que a atual legislação já permitiria a realização de licitações sustentáveis. Mas o órgão, segundo Luiz Merico, reconhece que existem dúvidas jurídicas sobre a questão e, por isso, concorda que mudanças na lei seriam benéficas.
Emendas ao Orçamento
Fonte: Agência Câmara - 06.11.2007