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Notícias da 13º Conferência do Clima
 
  

As cidades e as mudanças climáticas
 
Osvaldo Stella* de Nusa Dua - Bali, Indonésia
 
 

Paralelamente à Convenção do Clima são realizados vários eventos e debates - os chamados side events ou eventos paralelos à conferência.

Nesta Quinta Feira (06/12) o Asian Institute of Technology, Global Carbon Project e o National Institute for Environmental Studies promoveu o evento que discutiu a participação das cidades na mudança do clima.

Há cem anos 15% da população mundial era urbana, hoje 50% da população vive nas cidades, isto é 3,2 bilhões de pessoas vivem em áreas urbanas. Esta tendência é observada principalmente nos países em desenvolvimento, exatamente onde ocorrem as maiores taxas de aumento populacional.

Em uma comparação regional, os habitantes das cidades respondem por um consumo de energia per capta maior que moradores de cidades menores e áreas rurais,  quanto mais a cidade cresce, mantendo os mesmos padrões de desenvolvimento, maior será o consumo de energia per capta.

Hoje as populações urbanas respondem por 75% das emissões de gases de efeito estufa. Fica claro que a gestão urbana pode ser uma ferramenta poderosa no combate do efeito estufa. Os principais setores identificados como prioritários no combate ao efeito estufa são:

  • transporte
  • resíduos sólidos
  • construção civil

No caso do transporte, várias medidas podem ser adotadas, principalmente o incremento do transporte público e, paralelamente restrições ao transporte individual e a ampliação da oferta de transporte público por tecnologias baseadas em energia elétrica, metrô e trens elétricos. Essas medidas além de contribuir para o combate do efeito estufa promovem uma série de benefícios locais principalmente vinculados a melhoria da qualidade do ar e da redução dos congestionamentos. A eletrificação do transporte público pode contar com incentivos do mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL).

O manejo adequado dos resíduos sólidos é uma peça chave na mitigação do efeito estufa nas cidades. A matéria orgânica depositada nos aterros sanitários se decompõe e libera metano na atmosfera, gás 21 vezes mais estufa que o CO2. Promover a coleta seletiva e a reciclagem contribui não só com a redução na produção e no transporte de resíduos mas também na redução do consumo de matérias primas derivadas de combustíveis fósseis. Nos aterros sanitários, o aproveitamento energético do metano também é uma medida recomendada e passível de benefícios do MDL.

Outro setor onde existe um grande potencial para a redução de emissões é a construção civil. Tanto na construção quanto na concepção e no uso dos edifícios é possível tomar medidas efetivas para que estes sejam mais eficientes, principalmente em relação ao consumo de energia. A instalação de coletores solares em construções, como vem sendo feito em São Paulo, é uma dessas medidas efetivas no combate ao efeito estufa. Atualmente, em alguns países, a distribuidora de energia local é obrigada a comprar, pelo dobro do preço de venda, toda a energia que o consumidor gera em sua casa através de fontes renováveis como a solar.

Mais uma vez o grande desafio é incorporar estes conceitos às políticas públicas, principalmente em países em desenvolvimento. Seria preciso viajar até Bali para descobrir isso?
 
Para maiores informações sobre a conferência acesse www.unfccc.int
 

* Osvaldo Stella é diretor da Iniciativa Verde, tem o Boletim semanal Ambiente Urbano na Rádio CBN SP. Durante a Conferência do Clima o Boletim vai ao ar diariamente às 11:30.