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Aquecimento Solar de Água X Consumo de Água
Versão 1 - fevereiro 2008

Introdução

O CBCS está comprometido com a busca de soluções para intensificar o uso de energia renovável, como a solar, especialmente no aquecimento da água para uso residencial. Reconhece a importância da ação do estado, em conjunto com a sociedade, em criar condições que permitam ao mercado oferecer soluções cada vez mais ecoeficientes, seguras, confiáveis e viáveis economicamente.

Com este documento, o CBCS pretende estimular o diálogo entre os agentes envolvidos (órgãos governamentais, entidades não-governamentais, universidades, fabricantes, projetistas, construtores, incorporadores e profissionais) na busca de soluções eficazes para a construção sustentável, em particular, na consolidação do uso do aquecimento solar.

Integração do aquecimento solar de água nas edificações

A integração de um novo subsistema em um edifício é sempre atividade complexa. No caso do aquecimento solar de água, entendemos ser necessário discutir, entre outros, os seguintes aspectos:
  1. O benefício ambiental do aquecedor solar está relacionado à redução do consumo de energia elétrica e de uso de fonte renovável, temas de grande relevância.
  2. Os benefícios do uso de aquecedor solar são mais importantes em residências unifamiliares de qualquer tamanho localizadas em regiões onde o aquecimento de água para banho é necessário, bem como em edifícios que abriguem atividades que usem intensivamente água aquecida. Em todos os casos, o efeito no consumo de água deve ser sempre avaliado.
  3. O desempenho do aquecedor solar pode ser reduzido por problemas de projeto, instalação, operação e manutenção. Também devem ser considerados os fatores climáticos e localização do imóvel, sombreamentos, etc.
  4. Os impactos econômicos da implantação dos aquecedores solares ao longo do ciclo de vida da edificação devem ser adequadamente considerados em cada caso.
  5. A introdução do sistema de aquecimento solar em edifícios multifamiliares deve ser associada ao sistema de medição individualizada de água, ferramenta fundamental de redução de consumo de água, item prioritário em algumas regiões do país.
  6. Normas Técnicas ABNT, métodos de cálculo e especificações de materiais e equipamentos, particularmente para o caso de edifícios multifamiliares, ainda se encontram em consolidação.
  7. Existem alternativas de políticas públicas para a redução de consumo de energia em edifícios que não interferem diretamente em outros aspectos da sustentabilidade, e que devem ser consideradas. Entre elas, o estímulo para atendimento aos níveis superiores de eficiência energética (PROCEL B ou superior) para novos edifícios e a proibição de comercialização de dispositivos e equipamentos consumidores de energia de baixa eficiência (PROCEL C ou inferior), conforme os padrões definidos ou em definição pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - PROCEL (www.eletrobras.gov.br/procel).
Desafios para consolidação do mercado de aquecedores solares
  1. Adequação da tecnologia dos sistemas de aquecimento solar, permitindo vários usos aos diferentes tipos de edificação, buscando sempre o melhor desempenho.
  2. Melhorar a integração dos aquecedores com outros sistemas prediais, entre eles, sistema hidráulico e dispositivos de backup elétrico ou a gás.
  3. Solucionar a integração do sistema de aquecimento solar com o sistema de medição individualizada de água.
  4. Capacitar profissionais e empresas para elaboração de projetos, fabricação de equipamentos, e execução e manutenção das instalações.
  5. Informar e treinar o usuário final e a equipe de operação dos sistemas prediais.
  6. Adotar medidas para reduzir o risco de comercialização de produtos ineficientes e de curta durabilidade, que possam causar prejuízos para a sociedade, o meio ambiente e a imagem da tecnologia. Recomenda-se a estruturação de programas eficazes de avaliação da conformidade dos componentes dos sistemas de aquecimento solar de água com os Regulamentos Técnicos e as Normas Técnicas Brasileiras como, por exemplo, o Programa da Qualidade de Materiais e Componentes de Construção do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) do Ministério das Cidades.
  7. Desenvolver políticas públicas que contribuam para aumento da sustentabilidade, através de processos de discussão que garantam a ampla participação de todas as partes interessadas, de forma que as propostas contenham soluções técnicas adequadamente desenvolvidas e de implantação viável em diferentes cenários.
Conclusões

A construção sustentável exige sempre uma busca sistêmica das soluções mais eficazes em cada situação. A busca pela otimização de um aspecto isoladamente pode prejudicar o desempenho de outros, principalmente em situações com tantas demandas e oportunidades de atendimento a cada uma delas. É fundamental estabelecer prioridades e selecionar a alternativa que melhor se desenhar em cada caso.

Não há dúvida que o uso do sistema de aquecimento solar de água pode trazer benefícios ambientais importantes em termos de consumo de energia. Por outro lado, pode ter impacto considerável no consumo de água, igualmente crítico em muitos locais.

A introdução desta tecnologia requer integração e amadurecimento da cadeia produtiva, usuários e esferas governamentais. Neste sentido, o CBCS recomenda que a discussão dos aspectos levantados, assim como de outros considerados pertinentes, seja conduzida de forma democrática e criteriosa. Somente desta forma serão obtidos avanços significativos, que beneficiem o meio ambiente e a sociedade.

O CBCS se propõe a abrir e participar ativamente deste diálogo, e convida a todos os interessados a se juntarem neste processo.

CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável - www.cbcs.org.br.